Não sei se você já fez essa pergunta a si mesmo: Eu sou um cristão autêntico? Digo isso porque vivemos num mundo dos genéricos. São remédios genéricos, prometendo ter o mesmo efeito que os alopáticos convencionais. São produtos genéricos, vindos da China, e - Meu Deus - só Ele sabe a péssima qualidade que têm. São casamentos genéricos, onde o homem não é homem e a mulher não é mulher; uma verdadeira Sodoma de loucuras. Agora, também, tem surgido o cristão genérico. Este parece ser bom, mas não é; parece ser santo, mas não é; parece conhecer a Bíblia, mas não conhece; parece honrar ao pastor, mas não honra; parece ser convertido, mas, infelizmente, não é! Esse tipo de cristão se preocupa muito mais com a aparência exterior, enquanto o interior está cheio de "rapina" (Mt. 23:13-33). Este vive uma capa de espiritualidade, mas antes, assite a programas imorais, vê pronografia na internet, joga na loteria, vai a boates e "dança pra Jesus", sem falar nas "bebedeiras gospel" que agora é permitido para o crente contemporâneo, sem nenhuma insuflação de culpa em sua pobre mente cauterizada. A verdade é que esse tipo de cristão genérico não adora ao verdadeiro Deus. Antes, o seu deus é também um deus genérico. Este deus não é novo, pois existe desde o começo do mundo, e nada mais é do que sua própria vaidade, o seu "EU" (Mt. 6:19-24). Como Jesus disse aos fariseus e doutores da lei, em João 10, que o deus deles era outro. Veja este vídeo e você entenderá o que pretendemos dizer. Deus te abençoe. Rev. Cleber Macedo
quinta-feira, 24 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
PARA ONDE FUGIR?
"...o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos..." (II Co. 4:4)
Um dia destes atrás percebi como a sociedade brasileira está entregue ao caos moral. Era um dia de folga (Santa folga, pois ninguém é de ferro); tudo parecia perfeito, com exceção do conteúdo do dia. Resolvi, então, tirar alguns momentos diante da televisão, a fim de distrair a cabeça. Logo de manhã, tinha uns desenhos animados que mais pareciam um ringue de luta livre. Os personagens brigavam entre si, davam socos e pontapés; o mais "esperto" era aquele que passava outro pra trás. Era o "malandro" do Pica-pau, o megalomaníaco do Ben 10, e uns chinezinhos que nunca consigo gravar os nomes (só sei que morre um, a alma dele vai pro outro, depois ele ressuscita, uma loucura).
Pensei, então, que era apenas uma visão equivocada minha com relação aos desenhos. Resolvi perseverar e tentar encontrar alguma coisa útil na telinha. No canal de esportes não havia apenas competidores nas modalidades convencionais. Agora, o pole dance (uma mulher seminua dança sensualmente num bastão de metal) também fazia parte das atividades esportivas. Continuei insistindo nas programações. Noutro canal, havia a apresentação do carnaval brasileiro, com promessas de câmeras ao vivo revelando a intimidade dos camarins (sem comentários). Mudei para outro canal, e mais outro. Lá estavam o Gugo Liberato disputando audiência com o Faustão, a Ana Hickmann e a Eliana; cada um destes canais exibiam mulheres semiunas, atores e atrizes com brincadeiras obscenas e palavreados chulos.
Meu Deus, eu pensei, será que não há nada de bom na televisão? À noite, fui assistir ao Fantástico. Mas, o fantástico foi ver também dentro de um programa de informação a sensualidade. Era a garota fantástica; eram os bailes funks com a Regina Cazé, o elogio a uma prostituta que resolveu ajudar as amigas a se unirem pela "profissão"; era o Zeca Camargo dizendo para um pai que este deveria deixar sua filha transar com o namorado sem problemas. O pior, porém, estava por vir. Era um tal de BBB (talvez signifique Briga, Bagunça e Baixaria). Era um espetáculo de degradação moral em nome da "deusa" audiência.
Concluí no final daquele dia de folga que, realmente, o deus deste século (Satanás) cegou o entendimento das pessoas, para que não percebam a "porcariada" de programações vazias e sem sentido para a vida. Conclui que, infelizmente, há muitos evangélicos assistindo a essas sujidades e bebendo a largos sorvos sua filosofia mundana e degradante. E assim, vivem o sincretismo religioso e moral, propalado nas programações televisivas.
Para onde fugir? Corra para Cristo, pois só ele tem palavras de vida eterna. Foi essa a reação de Pedro quando confrontado pela indagação do Senhor Jesus. Pedro viu em Jesus Cristo o único que tinha palavras de vida eterna: Para onde iremos? Tu tens as palavras da vida eterna (Jo. 6:68). Fuja para Jesus.
Rev. Cleber Macedo de Oliveira
Um dia destes atrás percebi como a sociedade brasileira está entregue ao caos moral. Era um dia de folga (Santa folga, pois ninguém é de ferro); tudo parecia perfeito, com exceção do conteúdo do dia. Resolvi, então, tirar alguns momentos diante da televisão, a fim de distrair a cabeça. Logo de manhã, tinha uns desenhos animados que mais pareciam um ringue de luta livre. Os personagens brigavam entre si, davam socos e pontapés; o mais "esperto" era aquele que passava outro pra trás. Era o "malandro" do Pica-pau, o megalomaníaco do Ben 10, e uns chinezinhos que nunca consigo gravar os nomes (só sei que morre um, a alma dele vai pro outro, depois ele ressuscita, uma loucura).
Pensei, então, que era apenas uma visão equivocada minha com relação aos desenhos. Resolvi perseverar e tentar encontrar alguma coisa útil na telinha. No canal de esportes não havia apenas competidores nas modalidades convencionais. Agora, o pole dance (uma mulher seminua dança sensualmente num bastão de metal) também fazia parte das atividades esportivas. Continuei insistindo nas programações. Noutro canal, havia a apresentação do carnaval brasileiro, com promessas de câmeras ao vivo revelando a intimidade dos camarins (sem comentários). Mudei para outro canal, e mais outro. Lá estavam o Gugo Liberato disputando audiência com o Faustão, a Ana Hickmann e a Eliana; cada um destes canais exibiam mulheres semiunas, atores e atrizes com brincadeiras obscenas e palavreados chulos.
Meu Deus, eu pensei, será que não há nada de bom na televisão? À noite, fui assistir ao Fantástico. Mas, o fantástico foi ver também dentro de um programa de informação a sensualidade. Era a garota fantástica; eram os bailes funks com a Regina Cazé, o elogio a uma prostituta que resolveu ajudar as amigas a se unirem pela "profissão"; era o Zeca Camargo dizendo para um pai que este deveria deixar sua filha transar com o namorado sem problemas. O pior, porém, estava por vir. Era um tal de BBB (talvez signifique Briga, Bagunça e Baixaria). Era um espetáculo de degradação moral em nome da "deusa" audiência.
Concluí no final daquele dia de folga que, realmente, o deus deste século (Satanás) cegou o entendimento das pessoas, para que não percebam a "porcariada" de programações vazias e sem sentido para a vida. Conclui que, infelizmente, há muitos evangélicos assistindo a essas sujidades e bebendo a largos sorvos sua filosofia mundana e degradante. E assim, vivem o sincretismo religioso e moral, propalado nas programações televisivas.
Para onde fugir? Corra para Cristo, pois só ele tem palavras de vida eterna. Foi essa a reação de Pedro quando confrontado pela indagação do Senhor Jesus. Pedro viu em Jesus Cristo o único que tinha palavras de vida eterna: Para onde iremos? Tu tens as palavras da vida eterna (Jo. 6:68). Fuja para Jesus.
Rev. Cleber Macedo de Oliveira
sexta-feira, 18 de março de 2011
AS SETE PRERROGATIVAS DO ASPIRANTE AO MINISTÉRIO
Imagine se você (pastor) pudesse voltar no tempo e recomeçar teu ministério do "zero". Você lembra daquele dia quando Deus confirmou teu chamado? Você lembra daquela fé genuína, poderosa, ousada e ingênua ao mesmo tempo? Nada era empecilho para você! Já se passaram muitos anos - 10, 15, 20, 30 ou mais -, e você talvez encontra-se hoje machucado, desanimado com o ministério, com a instituição, com os amigos etc. O que fazer? Para onde ir? O que você diria a um aspirante ao ministério, se este pedisse sua opinião quanto à vida pastoral? Eis algumas dicas que podemos apresentar aos nossos colegas. São sete prerrogativas para seguir, à luz de Atos 16:6-34.
1- Direção soberana de Deus (16:6-10) - "Assim que teve a visão... concluindo que Deus nos havia chamado para lhe anunciar o evangelho". Poderíamos orientar nosso noviços que o melhor lugar para se estar não é na igreja que paga melhor, nem na maior cidade; antes, o melhor lugar para se estar é no centro da vontade de Deus (Rm. 12:2b). Um ministério direcionado pela soberania de Deus tem a visão de Deus e o conduzir de Deus.
2- Descanso na salvação dos eleitos (16:13-15) - "... o Senhor lhe abriu o coração para atender ás cousas que Paulo dizia". Ah! Quanta ansiedade e quantas pressões sofremos para encher nossas igrejas! Por quantos anos não cultuamos a "numerolatria" do rol de membros, dos relatórios competitivos e desejo vaidoso de que nossos nomes fossem citados nas reuniões de presbitério! Nossos jovens pastores não precisariam passar por toda essa infantil fase da nossa vida.
3- Discernimento dos espíritos (16:16-18) - "Estes homens são servos do Deus Altíssimo... retira-te dela...". Se nossos pupilos soubessem que nem todos aqueles que dão "tapinhas nas nossas costas", e nos chamam de "homens de Deus" são de fato nossos amigos! Eles certamente não seriam enganados e ludibriados pelos convites para almoçar, viajar e até mesmo receberem ofertas generosas. Tudo isso seria cobrado com juros muito altos lá na frente.
4- Coragem para pagar o preço (16:19-24) - "Estes homens... perturbam nossa cidade... mandaram açoitá-los com varas". Nossos aspirantes precisariam entender que não há vantagem material em ser um pastor honesto. A sedução por Mamon destruiu o ministério de muitos colegas caríssimos. O preço da fidelidade ministerial sempre exigiu sacrifício: do nosso tempo, da nossa família, das nossas parcas amizades, da nossa saúde física e emocional.
5- Louvar a Deus em toda e qualquer situação (16:25) - "...oravam e cantavam louvores a Deus...". Nossos catecúmenos ministeriais precisariam discernir o desafio de louvar a Deus em toda e qualquer situação, na igreja grande ou na igreja pequena, com um bom salário ou com um contido pagamento, na cidade metropolitana ou na cidade esquecida no mapa, com o louvor dos homens ou com a flechas envenenadas dos seus algozes.
6- Manifestação do poder de Deus (16:26) - "...sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos...". Poderíamos orientar nossos licenciados que uma boa exegese destituida de vida de oração é simples verborréia, sem unção! Orienta, mas não transforma em nova criatura. Pastores presbiterianos precisam equilibrar o pêndulo entre o Power Point e os joelhos no chão.
1- Direção soberana de Deus (16:6-10) - "Assim que teve a visão... concluindo que Deus nos havia chamado para lhe anunciar o evangelho". Poderíamos orientar nosso noviços que o melhor lugar para se estar não é na igreja que paga melhor, nem na maior cidade; antes, o melhor lugar para se estar é no centro da vontade de Deus (Rm. 12:2b). Um ministério direcionado pela soberania de Deus tem a visão de Deus e o conduzir de Deus.
2- Descanso na salvação dos eleitos (16:13-15) - "... o Senhor lhe abriu o coração para atender ás cousas que Paulo dizia". Ah! Quanta ansiedade e quantas pressões sofremos para encher nossas igrejas! Por quantos anos não cultuamos a "numerolatria" do rol de membros, dos relatórios competitivos e desejo vaidoso de que nossos nomes fossem citados nas reuniões de presbitério! Nossos jovens pastores não precisariam passar por toda essa infantil fase da nossa vida.
3- Discernimento dos espíritos (16:16-18) - "Estes homens são servos do Deus Altíssimo... retira-te dela...". Se nossos pupilos soubessem que nem todos aqueles que dão "tapinhas nas nossas costas", e nos chamam de "homens de Deus" são de fato nossos amigos! Eles certamente não seriam enganados e ludibriados pelos convites para almoçar, viajar e até mesmo receberem ofertas generosas. Tudo isso seria cobrado com juros muito altos lá na frente.
4- Coragem para pagar o preço (16:19-24) - "Estes homens... perturbam nossa cidade... mandaram açoitá-los com varas". Nossos aspirantes precisariam entender que não há vantagem material em ser um pastor honesto. A sedução por Mamon destruiu o ministério de muitos colegas caríssimos. O preço da fidelidade ministerial sempre exigiu sacrifício: do nosso tempo, da nossa família, das nossas parcas amizades, da nossa saúde física e emocional.
5- Louvar a Deus em toda e qualquer situação (16:25) - "...oravam e cantavam louvores a Deus...". Nossos catecúmenos ministeriais precisariam discernir o desafio de louvar a Deus em toda e qualquer situação, na igreja grande ou na igreja pequena, com um bom salário ou com um contido pagamento, na cidade metropolitana ou na cidade esquecida no mapa, com o louvor dos homens ou com a flechas envenenadas dos seus algozes.
6- Manifestação do poder de Deus (16:26) - "...sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos...". Poderíamos orientar nossos licenciados que uma boa exegese destituida de vida de oração é simples verborréia, sem unção! Orienta, mas não transforma em nova criatura. Pastores presbiterianos precisam equilibrar o pêndulo entre o Power Point e os joelhos no chão.
7- Compaixão pelas almas (16:27-34) - "Não te faças nenhum mal... lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa". O jovem pastor deveria compreender que não há nada mais importante do que uma alma salva. O que deve mover suas entranhas não é a fama, nem os benefícios contábeis, mas sim uma vida transformada aos pés da cruz. Se o seu ministério rendeu ao Reino de Deus uma alma livre do inferno, já valeu toda a pena. "...aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados" (Tg. 5:20).
Rev. Cleber Macedo de Oliveira
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A DOUTRINA DA ELEIÇÃO
A DOUTRINA DA ELEIÇÃO
Rev. Cleber Macedo de Oliveira
Efésios 1:3-14
Introdução
• A doutrina da eleição gera nos corações muitos sentimentos, de acordo com a perspectiva que olhamos para ela.
• Para alguns, Deus é injusto, pois não dá ao homem a oportunidade de escolha. Para outros, Deus é misericordioso, pois escolhe pessoas sem elas merecerem.
• Sobre a doutrina da eleição:
- É uma doutrina explícita na Bíblia – Há doutrinas implícitas na Bíblia, como por exemplo, a doutrina da Trindade, a doutrina do batismo infantil.
- Porém, a doutrina da Eleição se encontra em toda a Bíblia, desde a eleição dos anjos, da nação de Israel (Sl. 89:3-4), passando para todos os crentes (Ef. 1), e até o próprio Cristo.
- Assim, negar a doutrina da eleição é negar a própria Bíblia.
I - Para que entendamos a doutrina da Eleição é preciso entender a doutrina da depravação total do homem:
- No pacto das obras, Deus estabelece uma aliança com o homem, em Gn. 2:16-17, de obediência com seus frutos, e desobediência com seus frutos.
- Quando Adão pecou, toda a humanidade nele representada, foi condenada ao inferno (Rm. 5:12-21). Desde então todos nasceram pecadores, como Adão (Rm. 3:9ss).
- Ao fazer isso, Deus foi justo, pois ele cumpriu as promessas do pacto que estabelecera com Adão em Gênesis 2:16-17.
- Mas, pela sua grande graça e misericórdia, Deus Pai resolveu fazer uma outra aliança com a humanidade, agora na pessoa de Jesus Cristo, nosso outro representante (Rm. 5:12-21). Ele cumpriu perfeitamente essa aliança, dando novamente ao homem a oportunidade de salvação.
- Deus, então, pelos méritos de Cristo, decidiu em sua Soberana vontade escolher uns para salvação eterna, livrando-os da condenação do inferno.
- Veja as palavras de João Calvino:
“Como a Escritura, então, mostra claramente, dizemos que Deus, uma vez, estabeleceu, mediante seu plano eterno e imutável, aqueles a quem, de antemão, determinou, de uma vez por todas, receber para a salvação, e aqueles a quem por outro lado, destinou ao aniquilamento. Afirmamos que, com respeito ao eleitos, este plano funda-se na graça de Deus, livremente oferecida sem levar em conta o mérito humano; mas, por seu justo, irrepreensível, porém, incompreensível juízo, Ele fechou a porta da vida àqueles a quem abandonou à perdição...”.
“Que Deus dê, àqueles a quem reprova, o castigo que merecem, e dê, aos que elegeu, a graça que não merecem”... (Calvino, citando Agostinho).
II - Qual a utilidade dessa doutrina e seus frutos?
a) A doutrina da eleição nos ensina a olhar para a graça de Deus - A salvação não vem das nossas boas obras. Nossa salvação procede da tão somente generosidade de Deus (Ef. 2:8-10; Tt. 3:4-7).
b) A doutrina da eleição exalta a glória de Deus – Nenhuma glória repousa sobre o homem quando ele percebe que sua salvação não depende em nada dele mesmo. Assim, toda a glória pertence a Deus
c) A doutrina da eleição fomenta a sincera humildade no homem – O coração do homem quer tomar o lugar de Deus. Por isso seu desejo profundo e salvar-se sem precisar de Deus. Porém, a eleição revela que sou totalmente dependente dele.
Rev. Cleber Macedo de Oliveira
Efésios 1:3-14
Introdução
• A doutrina da eleição gera nos corações muitos sentimentos, de acordo com a perspectiva que olhamos para ela.
• Para alguns, Deus é injusto, pois não dá ao homem a oportunidade de escolha. Para outros, Deus é misericordioso, pois escolhe pessoas sem elas merecerem.
• Sobre a doutrina da eleição:
- É uma doutrina explícita na Bíblia – Há doutrinas implícitas na Bíblia, como por exemplo, a doutrina da Trindade, a doutrina do batismo infantil.
- Porém, a doutrina da Eleição se encontra em toda a Bíblia, desde a eleição dos anjos, da nação de Israel (Sl. 89:3-4), passando para todos os crentes (Ef. 1), e até o próprio Cristo.
- Assim, negar a doutrina da eleição é negar a própria Bíblia.
I - Para que entendamos a doutrina da Eleição é preciso entender a doutrina da depravação total do homem:
- No pacto das obras, Deus estabelece uma aliança com o homem, em Gn. 2:16-17, de obediência com seus frutos, e desobediência com seus frutos.
- Quando Adão pecou, toda a humanidade nele representada, foi condenada ao inferno (Rm. 5:12-21). Desde então todos nasceram pecadores, como Adão (Rm. 3:9ss).
- Ao fazer isso, Deus foi justo, pois ele cumpriu as promessas do pacto que estabelecera com Adão em Gênesis 2:16-17.
- Mas, pela sua grande graça e misericórdia, Deus Pai resolveu fazer uma outra aliança com a humanidade, agora na pessoa de Jesus Cristo, nosso outro representante (Rm. 5:12-21). Ele cumpriu perfeitamente essa aliança, dando novamente ao homem a oportunidade de salvação.
- Deus, então, pelos méritos de Cristo, decidiu em sua Soberana vontade escolher uns para salvação eterna, livrando-os da condenação do inferno.
- Veja as palavras de João Calvino:
“Como a Escritura, então, mostra claramente, dizemos que Deus, uma vez, estabeleceu, mediante seu plano eterno e imutável, aqueles a quem, de antemão, determinou, de uma vez por todas, receber para a salvação, e aqueles a quem por outro lado, destinou ao aniquilamento. Afirmamos que, com respeito ao eleitos, este plano funda-se na graça de Deus, livremente oferecida sem levar em conta o mérito humano; mas, por seu justo, irrepreensível, porém, incompreensível juízo, Ele fechou a porta da vida àqueles a quem abandonou à perdição...”.
“Que Deus dê, àqueles a quem reprova, o castigo que merecem, e dê, aos que elegeu, a graça que não merecem”... (Calvino, citando Agostinho).
II - Qual a utilidade dessa doutrina e seus frutos?
a) A doutrina da eleição nos ensina a olhar para a graça de Deus - A salvação não vem das nossas boas obras. Nossa salvação procede da tão somente generosidade de Deus (Ef. 2:8-10; Tt. 3:4-7).
b) A doutrina da eleição exalta a glória de Deus – Nenhuma glória repousa sobre o homem quando ele percebe que sua salvação não depende em nada dele mesmo. Assim, toda a glória pertence a Deus
c) A doutrina da eleição fomenta a sincera humildade no homem – O coração do homem quer tomar o lugar de Deus. Por isso seu desejo profundo e salvar-se sem precisar de Deus. Porém, a eleição revela que sou totalmente dependente dele.
III - Definição de Predestinação segundo João Calvino:
“Chamamos predestinação ao eterno decreto de Deus pelo qual Ele determinou consigo mesmo aquilo que Ele quis que ocorresse a cada homem. Por que não fomos criados em condições iguais; certamente, a vida eterna é preordenada para alguns, e a perdição eterna para outros. Portanto, como todos foram criados para um ou outro destes fins, falamos deles como predestinados para a vida ou para a morte”.
IV - A causa da eleição
- Por que Deus elege algumas pessoas e não outras? Seria por causa das boas obras? Ou seria que Deus já antevê que essas pessoas se converteriam?
- A causa da eleição é o próprio Deus (para glória da sua soberana vontade);
- A causa da eleição é a graça livre de Deus em salvar seus escolhidos (II Tm. 1:9).
V – Eleição como livre escolha soberana e não presciência de Deus, segundo Romanos 9
- Muitos irmãos arminianos dizem que Deus não predestinou, mas, sim, anteviu que as pessoas creriam nele; por isso, já sabia quem se converteria ou não.
- Porém, essa interpretação coloca Deus numa condição dependente do homem, aguardando o dia em que ele (homem) resolveria escolher salvar-se.
- Mas, como o homem poderia buscar a salvação se ele está morto espiritualmente? Veja Ef. 2:1-7.
- O texto de Romanos 9 é incrivelmente explícito quanto aos propósitos de Deus na eleição do seu povo escolhido.
Assim, a eleição:
1) É uma decisão soberana desde os tempos eternos (II Tm. 1:9; Ef. 1:4-5);
2) Não depende das obras para que sejamos salvos (Rm. 9:11-13);
3) É uma ação de Deus no homem do começo ao fim (At. 13:48; Tt. 1:1-2);
4) É uma eterna segurança para o crente – Uma vez salvo, salvo para sempre (Jo. 6:37,39;10:27-29);
5) Não tira do homem a responsabilidade de responder a esse chamado de Deus (Mt. 28:19-20; Rm. 8:29-30; 10:9-10, 13-15);
6) Não tira do homem a responsabilidade de buscar a santidade (I Ts. 4:7; Hb. 12:4,14).
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A METAMORFOSE CRISTÃ


“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Romanos 12:2
Analisando um dicionário eletrônico, o mesmo disse que, em biologia, metamorfose (do grego metamórphosis) é uma mudança na forma e na estrutura do corpo (tecidos, órgãos), bem como um crescimento e uma diferenciação, dos estados juvenis ou larvares de muitos animais, como os insetos e anfíbios (batráquios), até chegarem ao estado adulto. Nasce com uma forma, morre com outra.
Quando o apóstolo Paulo usa esse verbo em Romanos 12, ele estava pensando justamente numa mudança que o cristianismo autêntico pode proporcionar ao homem: uma mudança espiritual. O próprio Paulo já falara sobre essa transformação em II Co. 5:21: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas velhas já passaram; eis que se fizeram novas”. A essa transformação, o Senhor Jesus também disse em Jo. 3:3: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. O cristianismo subentende nova vida, novo nascimento, nova estrutura espiritual.
Infelizmente, muitos cristãos, que foram transformados pelo poder de Deus, foram transformados em novas criaturas, estão sofrendo um tipo de “involução” espiritual, e retomando a forma antiga. Eu explico! Para que se entenda o uso do verbo por Paulo em Rm. 12:2, é preciso entender que ele o está contrastando com outro verbo no início do versículo 2. Ele diz: “E não vos conformeis..., mas transformai-vos...”. Paulo está escrevendo para a igreja cristã em Roma, e sua preocupação era que muitos cristãos, agora novas criaturas, voltassem às antigas formas do mundo. O verbo “conformeis” tem a idéia de uma fôrma fixa, onde tudo que entra nela, toma sua exata imagem.
Este século tem amoldado o mundo em suas caricaturas mais aberrantes: homossexualismo, poligamia, pornografia, corrupução, violência, intolerância etc. E o pior, muitos crentes têm retomado essa forma. Paulo, em I Co. 6:11, depois de tecer uma lista de condenáveis ao inferno, nos alerta: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados...”. Ainda em Ef. 4:22-24: “No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as comcupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem...”. A forma do crente em Cristo é parecer-se com seu Salvador, e não mais a um mundo caído e desgraçado pelo pecado.
Que a Igreja de Cristo não se amolde ao mundo. Que a Igreja de Cristo não se conforme (amolde) com o mundo, mas lute pela sua transformação à image de Cristo Jesus. A verdadeira metamorfose já ocorreu em nossas vidas. Agora, é perseverar até o dia de Cristo Jesus.
(Pr. Cleber Macedo de Oliveira)
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Um homem caiu no buraco
Que esse vídeo o faça refletir sobre a diferença entre religião e religiosidade.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Uma análise acerca do sofrimento

Pr. Cleber Macedo de Oliveira
O problema do sofrimento é, certamente, uma das grandes indagações da humanidade. Não é surpresa ler e ouvir pessoas comentando e questionando onde está Deus nesses episódios catastróficos. O interessante é que não questionam onde está Deus quando tudo vai bem, ou quando têm grandes conquistas na vida pessoal ou familiar. Isso é bem explicado quando se entende o arrogante coração humano. Na bonança usam o velho chavão do iluminismo, que diz: “O homem é a medida de todas as coisas”. Porém, quando a adversidade ofende a pretensa seguridade humana, este procura culpar aquilo que está fora de si. Realmente, sofrer é um problema.
Algumas religiões procuram se beneficiar do sofrimento, procurando nele algo pelo qual possa se agradar. Os estóicos e epicureus, por exemplo, procuram gozar determinado sentimento de alegria no sofrimento. O cristianismo, por sua vez, não está isento dele. O que nos resta saber é exatamente qual a posição do cristianismo diante do sofrimento.
Para muitos evangélicos, o sofrimento se tornou algo repugnante e intolerável. Esta atmosfera que envolve a igreja evangélica hoje, com sua ênfase na crença fácil e num cristianismo que apregoa prosperidade, acabou por criar uma atitude não bíblica entre os crentes com relação aos sofrimentos e perseguições. Para estes, o sofrimento não é da vontade de Deus e, quando este vem, questiona-se a soberania daquele que tem o poder da vida e da morte em Suas mãos. As condições da cultura pós-cristã e de uma igreja evangélica cada vez mais instável estão mudando e declinando tão rapidamente que os crentes já precisam se preparar para não serem pegos desprevenidos ao se defrontarem com perseguições e adversidades.
O problema do sofrimento transcende os campos da teologia e filosofia; ou até mesmo se mesclam. Vemos isso no questionamento do filósofo Epicuro: Ele disse:
“Ou Deus deseja remover o mal deste mundo, mas não pode fazê-lo, ou ele pode fazê-lo, mas não o quer; ou não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo; ou, finalmente, ele tem tanto a capacidade como a vontade de fazê-lo. Ora, se ele tem a vontade, mas não a capacidade de fazê-lo, então isso mostra fraqueza, o que é contrário à natureza de Deus. Se ele tem a capacidade, mas não a vontade de fazê-lo, então Deus é mau, e isso não é menos contrário à sua natureza. Se ele não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo, então Deus é ao mesmo tempo impotente e mau e conseqüentemente, não pode ser Deus. Mas se ele tem tanto a capacidade como a vontade de remover o mal do mundo (a única posição coerente com a natureza de Deus), de onde procede o mal (unde malum?) e por que Deus não o impede?”
A verdade é, infelizmente, que cristãos sinceros têm se deixado levar por pensamentos que fogem às doutrinas centrais acerca dos atributos de Deus. Nos relatos que foram apresentados pelos blogueiros, mais particularmente no primeiro articulador, contrariando a interpretação do Dr. Augustus Nicodemus, revela uma visão equivocada acerca do caráter de Deus. Mais uma vez percebe-se a confusão das velhas heresias marcionitas[1], questionando a bondade e soberania de Deus.
Ainda há a velha tentativa no homem caído de auto-justificação, de bondade inata e de ser simplesmente uma vítima contingencial das mazelas deste mundo. Porém, isso tudo caiu por terra quando o autor acertadamente apresentou a resposta bíblica aos problemas do mundo: pecado. Sem uma compreensão da verdadeira condição do homem, este sempre se achará vítima, e nunca réu. A depravação total do homem é claramente apresentada pelo apóstolo Paulo em Rm. 3:10-18. O versículo 10 já mostra que o homem é indesculpável: “... Não há um justo, nem um sequer...”. qualquer tentativa de justificar-se, torna o homem mentiroso diante de Deus. E por esse pecado, todo tipo de miséria e sofrimento entraram no mundo. Aliás, sofremos porque somos responsáveis pelos nossos atos pecaminosos.
Portanto, a justiça de Deus é perfeitamente santa e justa. Lemos em Rm. 1:18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Não há nada de errado em Deus permitir, ou até mesmo em decretar tais catástrofes (Gn. 2:17; 3:19; 6:17; Mt. 24:39; Hb. 9:27; II Pe. 2:5). Como corretamente disse o Dr. Augustus Nicodemus: “...diante de acidentes como a queda do AF 447, devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos”. E isso se aplica também àqueles que já foram lavados e remidos em Cristo Jesus[2].
Analisando o sofrimento numa perspectiva bíblico-teológica para com o cristão, tais adversidades têm o propósito de se tornar uma bênção, para provação da fé e aprovação da parte de Deus. O Dr. Augustus, em seu comentário de Tiago, diz: “O que os judeus cristãos da Diáspora precisavam saber era que suas muitas tribulações funcionavam como testes que visavam trazer à luz esse elemento. Não eram castigos enviados por Deus, mas disciplina paterna visando o crescimento”[3]. Enquanto que para o homem que não crê em Deus o sofrimento é uma tragédia sem precedentes, para o crente em Cristo, ele traz crescimento e dependência de Deus.
Outro texto que traz mais luz a essa interpretação acerca do sofrimento é o de I Pe. 4:12. Pedro fala: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma cousa extraordinária vos estivesse acontecendo”. Haja vista ser o sofrimento algo presente na vida cristã, Pedro mostra a seus leitores que não se deve estranhar tal sofrimento. A forma imperativa do verbo xenizesqe nos dá a entender exatamente que outro sentimento contrário a este seria de uma vida não compromissada com o evangelho. Uma melhor tradução para a forma passiva deste verbo seria “não vos surpreendais”, ou “não sejais surpreendidos”. Não sejam eles apanhados de surpresa quanto a este sofrimento, que estava presente e, certamente, aumentaria (Jo. 15-16; II Tm.3:12; I Jo. 3:13)[4].
É realmente muito difícil trazer algum consolo para as famílias que perderem seus parentes em tragédias como a temática desta análise. É até compreensível uma certa revolta por parte daqueles que não têm um conhecimento bíblico satisfatório de Deus. Porém, nos assusta reações infantis e até heréticas de muitos cristãos que, tendo conhecimento da verdade, a distorcem segundo suas paixões carnais, numa tentativa de serem até mais justos que o próprio Deus. Mesmo que haja retaliação por parte de muitos que distorcem a doutrina da soberania de Deus, é a insistência em prezar pela verdade que trará elucidação aos corações incautos e ansiosos por uma resposta
[1] Marcião de Sinope ( 110 a 160 d.C.) foi um teólogo cristão e fundador do que veio depois a ser chamado marcionismo. De acordo com a sua teologia o Antigo Testamento deveria ser rejeitado e apenas os textos que ele atribuiu a Paulo deveriam ser tidos como sagrados. Considerava que o Deus vingativo do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo Deus amoroso a que Jesus se referia como Pai, e por isso, achava que só o Novo Testamento interessaria aos cristãos. Na doutrina de Marcião havia assim um Deus bom e um Deus mau. O primeiro ficava em um plano superior. Num plano abaixo na criação estava o Deus venerado pelos hebreus, a qual Marcião chama de Deus da Lei. Em um terceiro plano estavam os anjos, e o quarto e último plano era "Hyle" (matéria em grego). O Cristo havia sido enviado pelo Deus bom para libertar as almas do plano material.
[2] De acordo com David Barrett, editor do World Christian Encyclopedia, 300.000 (trezentos mil) cristãos são martirizados todos os anos. 833 (Oitocentos e trinta e três) por dia. Barret conclui que a probabilidade mundial de alguém ser martirizado por ser crente é de 1 para 200. Se for missionário, de 1 para 50. Se for evangelista em sua própria pátria, de 1 para 20 (Nova Iorque: Oxford University Press, 1982)[2].
[3] LOPES, Augustus Nicodemus, Tiago, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, S.P., 2006, p. 23.
[4] MUELLER, Ênio R., IPedro, p. 244-245. É possível que ao enfatizar este aspecto da surpresa do sofrimento, pode ser uma evidência de que maior parte dos leitores é de origem não-judaica;os judeus por sua própria história, já estavam mais acostumados a perseguições e sofrimentos, ao passo que os cristãos de origem gentílica podiam às vezes não saber bem o que fazer dentro de tais situações. O fogo ardente, que estava destinado a provar os cristãos era exatamente uma forma de purificação, lapidação da fé daqueles irmãos. Tanto no Novo Testamento quanto no Antigo Testamento (Setuaginta), a palavra traduzida por “ardente” é usada juntamente com o termo “fornalha”. Segundo MacArtuh Jr. comenta acertadamente, no Antigo Testamento este vocábulo se aplicava a um forno para fundição de minérios, no qual o metal era derretido para ser purgado dos elementos estranhos[4]. O Salmo 66:10 diz: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata”. Essa ardente prova é símbolo da aflição destinada por Deus “para vos provar”.
O problema do sofrimento é, certamente, uma das grandes indagações da humanidade. Não é surpresa ler e ouvir pessoas comentando e questionando onde está Deus nesses episódios catastróficos. O interessante é que não questionam onde está Deus quando tudo vai bem, ou quando têm grandes conquistas na vida pessoal ou familiar. Isso é bem explicado quando se entende o arrogante coração humano. Na bonança usam o velho chavão do iluminismo, que diz: “O homem é a medida de todas as coisas”. Porém, quando a adversidade ofende a pretensa seguridade humana, este procura culpar aquilo que está fora de si. Realmente, sofrer é um problema.
Algumas religiões procuram se beneficiar do sofrimento, procurando nele algo pelo qual possa se agradar. Os estóicos e epicureus, por exemplo, procuram gozar determinado sentimento de alegria no sofrimento. O cristianismo, por sua vez, não está isento dele. O que nos resta saber é exatamente qual a posição do cristianismo diante do sofrimento.
Para muitos evangélicos, o sofrimento se tornou algo repugnante e intolerável. Esta atmosfera que envolve a igreja evangélica hoje, com sua ênfase na crença fácil e num cristianismo que apregoa prosperidade, acabou por criar uma atitude não bíblica entre os crentes com relação aos sofrimentos e perseguições. Para estes, o sofrimento não é da vontade de Deus e, quando este vem, questiona-se a soberania daquele que tem o poder da vida e da morte em Suas mãos. As condições da cultura pós-cristã e de uma igreja evangélica cada vez mais instável estão mudando e declinando tão rapidamente que os crentes já precisam se preparar para não serem pegos desprevenidos ao se defrontarem com perseguições e adversidades.
O problema do sofrimento transcende os campos da teologia e filosofia; ou até mesmo se mesclam. Vemos isso no questionamento do filósofo Epicuro: Ele disse:
“Ou Deus deseja remover o mal deste mundo, mas não pode fazê-lo, ou ele pode fazê-lo, mas não o quer; ou não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo; ou, finalmente, ele tem tanto a capacidade como a vontade de fazê-lo. Ora, se ele tem a vontade, mas não a capacidade de fazê-lo, então isso mostra fraqueza, o que é contrário à natureza de Deus. Se ele tem a capacidade, mas não a vontade de fazê-lo, então Deus é mau, e isso não é menos contrário à sua natureza. Se ele não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo, então Deus é ao mesmo tempo impotente e mau e conseqüentemente, não pode ser Deus. Mas se ele tem tanto a capacidade como a vontade de remover o mal do mundo (a única posição coerente com a natureza de Deus), de onde procede o mal (unde malum?) e por que Deus não o impede?”
A verdade é, infelizmente, que cristãos sinceros têm se deixado levar por pensamentos que fogem às doutrinas centrais acerca dos atributos de Deus. Nos relatos que foram apresentados pelos blogueiros, mais particularmente no primeiro articulador, contrariando a interpretação do Dr. Augustus Nicodemus, revela uma visão equivocada acerca do caráter de Deus. Mais uma vez percebe-se a confusão das velhas heresias marcionitas[1], questionando a bondade e soberania de Deus.
Ainda há a velha tentativa no homem caído de auto-justificação, de bondade inata e de ser simplesmente uma vítima contingencial das mazelas deste mundo. Porém, isso tudo caiu por terra quando o autor acertadamente apresentou a resposta bíblica aos problemas do mundo: pecado. Sem uma compreensão da verdadeira condição do homem, este sempre se achará vítima, e nunca réu. A depravação total do homem é claramente apresentada pelo apóstolo Paulo em Rm. 3:10-18. O versículo 10 já mostra que o homem é indesculpável: “... Não há um justo, nem um sequer...”. qualquer tentativa de justificar-se, torna o homem mentiroso diante de Deus. E por esse pecado, todo tipo de miséria e sofrimento entraram no mundo. Aliás, sofremos porque somos responsáveis pelos nossos atos pecaminosos.
Portanto, a justiça de Deus é perfeitamente santa e justa. Lemos em Rm. 1:18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Não há nada de errado em Deus permitir, ou até mesmo em decretar tais catástrofes (Gn. 2:17; 3:19; 6:17; Mt. 24:39; Hb. 9:27; II Pe. 2:5). Como corretamente disse o Dr. Augustus Nicodemus: “...diante de acidentes como a queda do AF 447, devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos”. E isso se aplica também àqueles que já foram lavados e remidos em Cristo Jesus[2].
Analisando o sofrimento numa perspectiva bíblico-teológica para com o cristão, tais adversidades têm o propósito de se tornar uma bênção, para provação da fé e aprovação da parte de Deus. O Dr. Augustus, em seu comentário de Tiago, diz: “O que os judeus cristãos da Diáspora precisavam saber era que suas muitas tribulações funcionavam como testes que visavam trazer à luz esse elemento. Não eram castigos enviados por Deus, mas disciplina paterna visando o crescimento”[3]. Enquanto que para o homem que não crê em Deus o sofrimento é uma tragédia sem precedentes, para o crente em Cristo, ele traz crescimento e dependência de Deus.
Outro texto que traz mais luz a essa interpretação acerca do sofrimento é o de I Pe. 4:12. Pedro fala: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma cousa extraordinária vos estivesse acontecendo”. Haja vista ser o sofrimento algo presente na vida cristã, Pedro mostra a seus leitores que não se deve estranhar tal sofrimento. A forma imperativa do verbo xenizesqe nos dá a entender exatamente que outro sentimento contrário a este seria de uma vida não compromissada com o evangelho. Uma melhor tradução para a forma passiva deste verbo seria “não vos surpreendais”, ou “não sejais surpreendidos”. Não sejam eles apanhados de surpresa quanto a este sofrimento, que estava presente e, certamente, aumentaria (Jo. 15-16; II Tm.3:12; I Jo. 3:13)[4].
É realmente muito difícil trazer algum consolo para as famílias que perderem seus parentes em tragédias como a temática desta análise. É até compreensível uma certa revolta por parte daqueles que não têm um conhecimento bíblico satisfatório de Deus. Porém, nos assusta reações infantis e até heréticas de muitos cristãos que, tendo conhecimento da verdade, a distorcem segundo suas paixões carnais, numa tentativa de serem até mais justos que o próprio Deus. Mesmo que haja retaliação por parte de muitos que distorcem a doutrina da soberania de Deus, é a insistência em prezar pela verdade que trará elucidação aos corações incautos e ansiosos por uma resposta
[1] Marcião de Sinope ( 110 a 160 d.C.) foi um teólogo cristão e fundador do que veio depois a ser chamado marcionismo. De acordo com a sua teologia o Antigo Testamento deveria ser rejeitado e apenas os textos que ele atribuiu a Paulo deveriam ser tidos como sagrados. Considerava que o Deus vingativo do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo Deus amoroso a que Jesus se referia como Pai, e por isso, achava que só o Novo Testamento interessaria aos cristãos. Na doutrina de Marcião havia assim um Deus bom e um Deus mau. O primeiro ficava em um plano superior. Num plano abaixo na criação estava o Deus venerado pelos hebreus, a qual Marcião chama de Deus da Lei. Em um terceiro plano estavam os anjos, e o quarto e último plano era "Hyle" (matéria em grego). O Cristo havia sido enviado pelo Deus bom para libertar as almas do plano material.
[2] De acordo com David Barrett, editor do World Christian Encyclopedia, 300.000 (trezentos mil) cristãos são martirizados todos os anos. 833 (Oitocentos e trinta e três) por dia. Barret conclui que a probabilidade mundial de alguém ser martirizado por ser crente é de 1 para 200. Se for missionário, de 1 para 50. Se for evangelista em sua própria pátria, de 1 para 20 (Nova Iorque: Oxford University Press, 1982)[2].
[3] LOPES, Augustus Nicodemus, Tiago, Ed. Cultura Cristã, São Paulo, S.P., 2006, p. 23.
[4] MUELLER, Ênio R., IPedro, p. 244-245. É possível que ao enfatizar este aspecto da surpresa do sofrimento, pode ser uma evidência de que maior parte dos leitores é de origem não-judaica;os judeus por sua própria história, já estavam mais acostumados a perseguições e sofrimentos, ao passo que os cristãos de origem gentílica podiam às vezes não saber bem o que fazer dentro de tais situações. O fogo ardente, que estava destinado a provar os cristãos era exatamente uma forma de purificação, lapidação da fé daqueles irmãos. Tanto no Novo Testamento quanto no Antigo Testamento (Setuaginta), a palavra traduzida por “ardente” é usada juntamente com o termo “fornalha”. Segundo MacArtuh Jr. comenta acertadamente, no Antigo Testamento este vocábulo se aplicava a um forno para fundição de minérios, no qual o metal era derretido para ser purgado dos elementos estranhos[4]. O Salmo 66:10 diz: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata”. Essa ardente prova é símbolo da aflição destinada por Deus “para vos provar”.
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